A arte de recomeçar

O recomeço tem uma emoção especial. É futuro e passado ao mesmo tempo. É dor e esperança. Quais foram os seus recomeços?

O recomeço é um conceito meio esquisitão. É um começar, de novo. Então tem algo de inédito, mas carrega um passado junto. Tem algo muito especial no recomeço, uma emoção só dele.

O começo de algo vem cheio de expectativa. Cheio de gás, de empolgação. Começar é se aventurar. O recomeço é bem diferente. Tem uma dor envolvida. Algo se encerrou, algo se perdeu no caminho. Alguma frustração, tristeza ou luto ocorreu, e deixou uma marca.

No recomeço algo fica pra trás. O começo é todo voltado pra frente, ele segue o curso natural das coisas. Já o recomeço tem isso: dá uma mão para o futuro, carregando uma bagagem na outra. O recomeço vem com uma bagagem, no mínimo, média. Mochilinha não cabe aqui nesse conceito. Roupa do corpo, bolsa de mão ou mochila leve, são coisas de começo.

Enquanto o começo tem a ver com novos fatos, o recomeço tem a ver com uma nova perspectiva. No recomeço há uma reconstrução do olhar, uma retomada em outros termos de uma história que já existiu de alguma maneira. Todo recomeço tem em seu caminho algum grau de receio, de inquietude, de ansiedade, de angústia.

Em todo recomeço há um luto, um recomeço. Forçado na maior parte das vezes. E a pessoa se vê ali, à beira do abismo emocional.

O recomeço é das coisas mais lindas que existe. Exige coragem, desejo de viver, de lutar, de reconquistar, de ser feliz. Mas sabendo que nunca mais daquele mesmo jeito. Vai ser de outro. O recomeço implica sempre numa chacoalhada na identidade da pessoa. Quem recomeça teve que refletir muito, repensar, reavaliar, mudar, sofrer. Sempre tem uma transformação. E uma imensa esperança.

Que 2021 venha trazendo ESPERANÇA e FÉ.

Fonte: Luisa Mascarenhas é psicóloga, escritora e roteirista. Criadora da página de humor Pirei Online e autora do livro “A Vida Virtual Como Ela É”.

Cristina Nahum Psicóloga

Silvia Adolfo Assistente Social